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sábado, 25 de janeiro de 2014

Não tem nada mais revolucionário do que a socialização do conhecimento

Figura: vanderleyac.blogspot.com

Às vezes fico me perguntando o que algumas pessoas querem com tanto conhecimento. Estudam em diversos cursos, fazem dezenas de outros e guardam tudo para si, numa clara demonstração de que nem de longe entenderam suas missões.

Praticamente dois terços da minha vida tenho estado envolvido com o mundo do poder. A maioria das vezes resistindo, lutando para que o poder de alguns não aprisionem as pessoas de bem, tentando entender porque algumas pessoas que se dizem dirigentes, seja lá do que for só enxergam o povo apenas como “garrafinhas e somente as valorizam próximo das eleições, mesmo que seja uma eleição interna de alguma organização e outras simplesmente quebrando os muros que dividiam o mundo dos que sabem das pessoas que pagavam caro por não saber.  

Essa prática da detenção do poder está no ar, nos partidos, nas igrejas ou em qualquer tipo de organização, onde exista disputa de poder e pessoas que só conseguem enxergar o poder vertical e principalmente no poder público, que se encontra, pressionado pelo contexto atual, numa enorme crise de identidade. Todos aqueles que de alguma forma resistir a isso serão punidos, afastados e sumariamente deletados de qualquer possibilidade futura. Ou aceitam a situação ou nunca serão convidados para sentar à mesa.

O mais interessante nessa breve discussão, é imaginar que na cabeça dessas pessoas, todas as demais dependem somente delas, pois apenas elas detêm o conhecimento de como chegar lá e defendem que só chegaram porque descobriram o conhecimento. Assim se tornaram pessoas privilegiadas pela vida e por seus enormes esforços e, portanto ganharam o direito de pensar e agir pelas outras.

Alguém conhece pessoas assim, ou é coisa da minha cabeça? Se alguém conhecer, consegue respeitá-las como seus líderes ou comandantes?

Acredito que a socialização do conhecimento possibilita que as pessoas enxerguem o próximo passo, que possam fazer escolhas, que possam se interessar por mais conhecimentos. Para quem manipula as pessoas sem conhecimento, não há nada mais subversivo do que instrumentalizá-las com informações e com novos conhecimentos. Na prática é uma subversão permanente contra toda forma de poder vertical.

Não sei nem se podemos chamar isso de fenômeno, pois é mais comum do se imagina e ocorre em todos os espaços possíveis. Está ligado à personalidade e a índole de algumas pessoas e também à matriz ideológica por onde essas pessoas passaram e transitam na atualidade.

O conhecimento na vida tem outro significado. Não pode ser chamado de conhecimento algo que estático, sem vida e que apenas serve de texto e contexto para legitimar o poder alguém contra outro. Paulo Freire dizia que o “conhecimento emerge apenas através da invenção e reinvenção, através de um questionamento inquieto, impaciente, continuado e esperançoso  de homens no mundo, com o mundo e entre si”.

Na verdade o conhecimento é um processo que transforma  tanto aquilo que se conhece como também o conhecedor, só que para isso necessita de um processo dialético, do renascimento e da transformação do saber, onde o conhecedor o faça circular, fazendo com que se reinvente e ganhe novos formatos temporais a serviços da humanidade.

A maioria das pessoas não sabe doar, nem compartilhar o conhecimento, assim perdem o senso de ensinar, simplesmente porque o ensinar é antes de tudo uma doação. Segundo Freire, ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa aos direitos dos educandos e exige também, a apreensão da realidade. Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. "O conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer uma ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca constante. Implica em invenção e em reinvenção".

Não há nada mais prazeroso do que saber que o conhecimento que você socializou serviu para as pessoas se libertarem das “garrafinhas” e se transformarem em militantes de uma causa que lutarão pelos seus direitos.

Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Coordenador do Programa de Capacitação Continuada em Gestão Pública
Fundação Perseu Abramo

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