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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A importância de ser ter uma causa para se viver


Inicio essa conversa chamando a atenção para a importância de se descobrir a missão de cada um de nós com o ato de viver. Chamo isso de causa. Algo que se adota como principio de vida e que se torna regra básica de convivência, sonhos, lutas, derrotas e conquistas. Algo que começa de forma individual pela escolha, mas que ao longo do tempo vai se encontrando com outros seres humanos que também seguem na mesma direção e aí vira uma causa coletiva.

O bom de ter uma causa é saber, que cada vez que o trem da historia faz uma curva, viramos sempre juntos com todos e todas que também as tem.

Que cenário surreal é esse que vivemos na atualidade? De um lado uma trupe de devoradores de almas, de sonhos e de esperança do povo, amigados com o capitalismo selvagem; do outro uma nação anestesiada, com uma parte dela de caso com um grande pato amarelo; e à margem do retrocesso milhares de sonhadores e de sonhadoras buscando ganhar a atenção do maior número de pessoas possíveis para a caminhada em busca da sociedade desejada. Uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e para todas. Essa é a meta.

Vivemos uma verdadeira confusão ideológica. O que já era complicado agora complicou de vez. A centro-esquerda flertando com a direita, a direita namorando com a extrema direita e a extrema direita aliada ao fascismo e como resultado de tudo isso uma conjuntura incerta e com prejuízos incalculáveis para diversos setores, principalmente para a classe trabalhadora.

Apresentando-se como se fosse a luz do fim do túnel, aí vem às eleições mais atípicas da história do país, com vários interesses em jogo. A direita defendendo manter a estrutura do golpe e o avanço no desmonte do Estado de Bem Estar Social, seguindo as regras do Consenso de Washington; a extrema direita criando a impressão de um poder nacionalista e fascista a la Trump e a esquerda, ou o que sobrou dela, junto com os movimentos sociais e trabalhistas, lutando para resgatar os direitos destruídos pela política do pato amarelo empresarial e seus aliados internacionais, que rasgou a Constituição e a CLT e ampliou privilégios para apenas um pequeno setor da sociedade, sendo necessário para isso um Plebiscito Nacional que anule as medidas autoritárias tomadas até o momento pelo governo golpista e seus aliados.

Esses são apenas alguns dos grandes interesses e desafios em jogo. Caso a composição dos setores progressistas perca as eleições, significa voltar o país ao cenário de mais de cem anos atrás. Algo em torno de 1917, quando da primeira greve geral. As reivindicações são as mesmas.

Um processo eleitoral deturpado e violado, onde o favorito ao cargo de Presidente da República se encontra preso para não ser vitorioso, a partir de um processo de condenação contestado por juristas de várias partes do mundo. Além disso, com algo até então inédito, que é o surgimento de forma clara e organizada da extrema direita fascista, que prega o rompimento democrático e a volta da ditadura militar. Um cenário de trevas.

Em tempos eleitorais, de politicalha, de golpe e de negação da boa política, o que sobra mesmo para a população eleitoral é o envolvimento emocional por seus candidatos e candidatas, sem o menor critério político e muito menos ideológico. Há uma perigosa paixão que se apodera das mentes e corações de quem se comporta como massa de manobra e se deixa levar em troca de pequenos favores. Normalmente votam nas pessoas e não em seus projetos ou a quem eles e elas representam.

Diante desse confuso cenário, como definir uma causa que resulte na forma de pensar e agir? O que tem a ver a causa com a política tradicional?

A escolha de uma causa se dá através de um processo de conscientização, que poderá ocorrer a partir da militância, formação política e participação efetiva em movimentos organizados. Não se escolhe uma causa do nada e sim a partir da identidade com o lado que se escolheu para caminhar na vida.

No meu particular entendimento, a política tradicional se tornou o ópio da humanidade, pois alimenta a ilusão, permite a corrupção, com a máxima “rouba, mas faz” e tudo vira troca de pequenos favores e privilégios, além de servir de manutenção para os cargos presentes e futuros. O mais trágico é ver algumas pessoas transformarem os cargos públicos em profissão vitalícia.

A partir desse cenário, podemos definir duas formas de fazer política. Enquanto a velha forma desencanta, pois foca em projetos pessoais e eleitoreiros, a luta concreta por uma causa encanta quem a entende, pois se trata de um projeto coletivo de transformação. Uma disputa, a outra conquista. Uma vive de interesses, a outra vive de sonhar por uma nova sociedade. Uma se esconde por trás da alienação e a outra desmistifica os códigos do poder dando voz à população através da conscientização e da formação. Uma vive a caçar eleitores e a outra investe na sociedade organizada em busca e novas lideranças. Uma alimenta o sistema e a outra alimenta quem sonha por justiça, liberdade e oportunidades para todos e todas.

Caminho pelas trilhas da subversão, de acordo com quem quer comandar o país de cima para baixo, na medida em que trabalho com formação e levo às pessoas a possibilidade de entenderem o universo por onde andam.

Prefiro continuar sonhando um sonho coletivo, mesmo que eu o imagine em muitas vezes utópico ou longe da realidade, pois isso difere do ato de fantasiar individualmente pregando que o mundo vai mudar a partir do próprio umbigo.

Porém, o que seria nós seres humanos se não houvesse a utopia que nos joga na luta e nos remete ao imponderável, como se a vitória já tivesse chegado.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública Social

2 comentários:

  1. A vida sem um objetivo que traga o bem para a maioria não é uma vida... é arremedo. Pessoas como você me consolam, pois vejo que nem toda a humanidade está perdida

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    1. Olá Rita
      Um comentário como o seu é que alimenta a minha vontade de continuar.
      Grato.

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