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sábado, 24 de maio de 2014

Em busca de uma nova forma de governar

Um assunto intrigante surgiu num dos cursos que ministro nas prefeituras. Porque alguns governantes ou mesmo gestores, quando estão em exercício não se consideram mais povo e sim alguém iluminado? Pratica essa que os afasta da população e por necessidade voltam apenas no início do próximo pleito eleitoral, ou em busca de reeleição ou no apoio de seus sucessores.

Os participantes do curso concluíram ainda que essa atitude faz parte de um processo cultural conservador, onde a população, por não acreditar na política, não participar dos movimentos sociais e muito menos buscar entender a função da política e dos políticos, principalmente por concordarem com o senso comum de que todos são iguais e por isso não merecem crédito, votam por obrigação ou pela paixão, em qualquer um, passando a cobrá-los como se fossem seus legítimos representantes.

Como ser um legítimo representante se não há vínculos e nem mesmo um discussão que levasse a construção de um projeto ou mesmo um “faz de conta” que agradasse seus seguidores?

Outro dado levantado pelos participantes vem do fato de que quando essas pessoas saem de seus postos, ou saem bem financeiramente porque usaram a máquina em benefício próprio, ou ainda entram em crise existencial.

Ao analisar de forma mais conceitual essas afirmações, chegamos à conclusão que Michel Foucault nos ofereceu os referenciais para afirmarmos: “O poder está à margem da loucura”. Quem não souber utilizá-lo para servir a uma causa, por ele será usado e sem que perceba, virará outra pessoa. Em regras gerais, tornar-se-á arrogante, vaidoso e com um objetivo claro de fazer o que for necessário para no poder permanecer. Trata-se de um modelo vertical de governar, onde o indivíduo de tão grande que se tornou, começa a ser venerado e não admirado como um líder.

Podemos até afirmar que esse modelo de gestor, gestão e de relacionamento com a sociedade é o utilizado na extrema maioria das gestões públicas no Brasil e que governar de forma contrária, ou seja, de forma participativa e transparente, que requer atitudes éticas e um processo integrado, portanto uma gestão horizontal chega a ser subversivo aos olhos de quem necessita a população bem longe.

Estamos em busca de uma nova forma de governar, onde o gestor ao chegar à conclusão de que governar não é um fim em si mesmo e sim um meio para as mudanças efetivas da sociedade, chegue também à conclusão de que isso necessita que o mesmo seja ou se transforme num militante de uma causa, que antes de ser partidária fará parte de seu projeto de vida.

A caminhada para se aproximar desse objetivo, começa quando gestor se pergunta qual é o seu papel no processo de mudanças, qual é a sua missão e passa a estar disposto em aprender e reaprender.


Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Coordenador do Programa de Capacitação Continuada
em Gestão Pública da Fundação Perseu Abramo
toni.cordeiro1608@gmail.com

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