Minha mãe sempre contava algo sobre a natureza, dizendo que meu avô tinha
encontrado um lindo coelhinho, que o tornou um bichinho de estimação. Alimentava,
enchia de mimos e o amava muito. Minha vó então fez um desafio ao meu avô. Que
ele soltasse o bichinho na vagem, que a natureza dele determinaria o que ia
acontecer.
Meu avô topou. Levou o bichinho cheio de carinho e muito amor
e o soltou no meio do capim alto, crente que ele não fugiria, por todo amor recebido.
Ele simplesmente correu e desapareceu, deixando meu avô muito triste, mas
entendendo que foi a natureza do coelhinho quem determinou a sua fuga...
No decorrer das nossas vidas, construímos lindas moradas com
alguém e muitas vezes nós mesmos destruímos, por medos do passado, egoísmo, ou
mesmo por não queremos assumir os vieses que uma relação duradoura determina, como
afirmava Baumann.
Normalmente quem habita essas moradas, além de cada um ou uma
de nós, é alguém que às vezes nos ajudou a construir, nos amou intensamente, nos
minou de forma incondicional e nós por vezes ignoramos, pois agimos apenas pela
natureza do que somos ou simplesmente por instinto e nem sentimos o coração, por ele estar fechado.
Caso eu fosse um sábio, eu diria para algumas pessoas que conheço e para
eu também ouvir, que a natureza, mesmo sendo um conjunto de características,
comportamentos e traços que definem os seres humanos, abrangendo aspectos como
maneiras de pensar, sentir e agir; quem nos oferece o melhor das nossas vidas é
quem age a partir do coração...
Bem-vindo seja o Amor verdadeiro à minha vida. Estarei sempre
de coração aberto para te receber...
Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico, Escritor e Pesquisador em Gestão Social