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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Lula está preso... na mente e no coração povo brasileiro


A imagem pode conter: 2 pessoas, incluindo Jocivaldo Dos Anjos, pessoas sorrindo, texto
Três prisões marcam a vida do maior líder político da atualidade: a literal, que é a da justiça seletiva de Curitiba, que aprisiona politicamente, a partir de “um grande acordo nacional com supremo e tudo”, com medo de perderem a eleição e o projeto de inclusão social voltar a vigorar no Brasil. A segunda prisão que acomete ao maior presidente da história do Brasil é a do coração do povo. Esta se trata de uma prisão sentimental. O homem Lula dá passagem para o Mito se manifestar. O mais amado entre os brasileiros e um dos maiores do mundo. “O presidente povo e o povo presidente”. O povo se ver no Lula, sua representação. O Lula é o espelho do povo brasileiro. Queiram ou não os opositores.

A terceira prisão que acomete o Lula (nesta pequena análise) é a da mente das pessoas. O brasileiro jamais viveu tempos de maior prosperidade. Para além dos ganhos vistos em material tem também a felicidade do povo e o otimismo. O governo de Lula deixou marcas para a história do Brasil inapagáveis. A justiça de crescimento com distribuição fez do Brasil um lugar melhor de se viver. O que sobra destas três prisões?

Destas prisões pelas quais Lula passa (além de outras) sobra o resultado da pesquisa DataFolha divulgada neste início de junho de 2018. Sobre dados inequívocos de que após mais de dois meses o eterno presidente do Brasil continua ganhando de todo mundo. Com  30% dos votos dos entrevistados. Dado relevante se encontra em relação a segunda colocação. Devido o fato de Lula está preso e ainda ser uma incógnita sua aceitação pelo TSE (MAS, QUE SERÁ REGISTRADA), conforme deliberação do PT em aceitação e consonância com o pré-candidato, a segunda colocação na pesquisa se trata de um ineditismo na política. Se em 2014  de 8% das pessoas declaravam não ter candidato ainda, esta eleição aponta 23% do entrevistados. Isso aponta que a margem de Lula pode subir de 30%, em sendo declarado candidato, para ganhar a eleição já no primeiro turno.

A relevância desta informação da pesquisa é uma demonstração de que há pessoas que a grade não prende porque é maior do que ela. Pessoas que se tornam ideias. Ideias que se tornam sonhos. E sonhos, já dizia o poeta: não envelhecem.
Não há prisão que prenda a ideia. A ideia é Lula. Lula é a ideia.

Jocivaldo dos Anjos
Aluno especial do Doutorado em Administração Pública 
pela Universidade federal da Bahia – UFBA
jocinegao@hotmail.com

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Governar e legislar são meios ou fins em si mesmo?

Mudando de conversa e voltando ao campo das discussões políticas, uma pergunta feita durante os debates do Curso Plano de Governo e Ações para Governar da Fundação Perseu Abramo na cidade de Matão/SP, em 2015, ficou na memória e levantou uma série de questões que continuam na ordem do dia.

Governar e legislar num país capitalista como o Brasil, do ponto de vista ideológico de esquerda, são meios para as mudanças efetivas e necessárias na sociedade, ou fins em si mesmo? Governar e legislar são meios ou fins?

Uma discussão acalorada que encontrou ressonância com outra questão levantada: o PT e seus aliados nos quatro governos nacionais chegaram ao poder ou apenas aos governos? De que poder estamos falando?

Quanto ao poder, se chegou à conclusão de que num país capitalista de fato quem determina é o econômico, como afirmava Karl Marx e, portanto se um partido de esquerda, ou mais à esquerda, governar o país, um estado ou um município, ou fará concessões ao capital ou não governará e mesmo assim não terá controle sobre o poder econômico. Basta ver o impeachment de Dilma.

Para início de conversa, sem entrar no mérito, tanto sociológico como antropológico, defendo a ideia de que o termo sociedade é uma convenção, que serve muito mais ao deus mercado do que ao ser humano em convivência. Prefiro o termo comunidade, pois em comunidade se vive situações coletivas e nos aproxima do bem comum, assim como das causas comuns.

Trago essa temática num momento de desencontros políticos. Entendo ser uma conversa necessária e atual, principalmente para se sair do debate pessoal contra essa ou aquela figura política que encabeça uma composição temerária como aliança e chegarmos a algumas conclusões dos porquês de tanta gana por determinadas alianças mercantilistas, comandadas pelos profissionais da política e principalmente quem ganha e quem perde com isso.

Em minha avaliação, quase que de forma geral, o processo eleitoral é conduzido, primeiro por vários interesses político-econômicos, que passam longe dos reais interesses da população que mais precisa e segundo que quase sempre é conduzido pelo emocional e não pela razão de ser. Ou seja, existe uma paixão cega pelo candidato ou pela candidata, sem nenhuma racionalidade. Isso na prática distancia as pessoas de entenderem a intencionalidade dos candidatos e das candidatas, deixando-os livres para agir.

A racionalidade está na discussão e formulação dos projetos políticos, que é quem pode dar vida a qualquer candidatura e as quantas mãos foram realizados. Em resumo, se tem projeto coletivo dá para se respeitar, mesmo que se discorde, agora se for uma carreira solo ou de interesses de um determinado grupo financeiro, serve apenas à Matrix, ou seja, ao sistema.

Ouço e observo por várias vezes crises de vingança que mais expressam a falta de maturidade política de seus atores, do que uma posição ideológica de discordância na essência da questão. Aquelas do tipo: “Ah se acontecer isso ou aquilo, saio do partido...”. Ou ainda “Caso isso ocorra, abandono a vida política...”. Isso é tudo que o sistema quer. Criar contradições e crises infantilizadas diante da complexidade da escolha de uma causa a se lutar, que se for real, acaba se transformando em projetos de vida.

É importante registar que existem vários desvios de conduta num processo eleitoral, quase imperceptíveis aos olhos de quem apaixonado está ou ainda de uma parcela da sociedade que foi transformada em massa de manobra para servir ao sistema, com a grande contribuição do PIG – Partido da Imprensa Golpista. Com isso, o voto, que se lutou tanto para se ter o direito de votar, tornou-se quase uma brincadeira obrigatória. Vota-se por obrigação, porém sem convicção. Vota-se por interesses e não por identidade política.

Eis alguns desvios politico-eleitorais que considero relevantes:

1. Vende-se a ideia de senso comum, de que todo político é ladrão e que política é uma coisa ruim. Com isso, todo pleito fica comprometido, fazendo com que a população vote em qualquer um ou qualquer uma, até por deboche.

2. Desclassificam-se as eleições como forma de elegerem quem a direita quer, usando para isso o ódio de classe e o ódio à classe política.

3. Priorizam-se os cargos majoritários, não por acaso, em detrimento dos legislativos, que é quem cria leis e as modificam. Isso faz com que se passe também a ideia de um voto de segunda classe para os cargos legislativos

4, Compõe-se os governos a partir de acordos mercantilistas, meio que do tipo escambo, ao invés de busca de afinidade a partir de um Plano de Governo.

5. Devido aos tipos de alianças e compromissos com as mesmas, não se discute a integração de governo a partir de um Plano Estratégico. Os diversos setores de governo acabam virando “caixinhas de poder”, com projetos personalistas, individualizados e bem longe da participação.

6. A maioria dos eleitos e das eleitas governa e legisla para si e às vezes até para a população, porém nunca com a mesma. Uma gestão participativa, seja no executivo ou no legislativo, necessita de instrumentos participativos, tais como: Conselhos de Mandatos e de Governos, Fóruns Temáticos Participativos, Mandatos Itinerantes, Capacitação Contínua, etc...

7. Predominância mercantilista, tanto para a maioria dos governos, como dos mandatos legislativos, tendo o assistencialismo como única moeda de troca.

Se o ato de governar e o de legislar são apenas fins em si, talvez se justifique as carreiras políticas solos. Aqueles ou aquelas que governam e legislam pensando apenas em seus umbigos e ficam para a história como heróis e heroínas do caos. Em tese, comandam um exército de ovelhas bem treinadas e vão tecendo a grande teia do poder, além de contribuir para que a pirâmide econômica seja cada vez mais dinâmica.

Porém, se os atos de governar e de legislar são entendidos como meios para as mudanças necessárias e efetivas na sociedade, cada espaço conquistado tem que ser transformado em pontos de empoderamento, conscientização e consequentemente em atos de militância constantes. Nesse caso, governa-se e legisla-se buscando a construção de bases na sociedade e não apenas de eleitores e de eleitoras. Não se busca heróis ou heroínas para ficarem na história e sim representantes dos anseios das comunidades.

As inquietudes de Matão foram discutidas nos cursos em 19 estados e serviram para que pudéssemos expor com clareza, a diferença de um modelo de governança individual e de outro coletivo. Um modelo que se encaixa perfeitamente em golpes e o sistema neoliberal, porém também dissimulado em mandatos ditos participativos e outro que visa libertar a sociedade de suas amarras e tem como eixo central a luta contra a exclusão econômica e social e todas as formas de desigualdades.

A cegueira política e a falta de entendimento dos códigos do poder provocam o caos e o ódio de classe que vemos hoje em curso.

Indigne-se como eu me indignei e exija seu espaço de participação, esteja onde estiver, porém ame como eu amei descobrir a causa que me move rumo ao futuro e saberás que não vieste ao mundo para ser mais um ou mais uma na multidão e sim sujeito e sujeita de sua própria história.

Aguardo-te nas estradas da vida, onde caminharemos juntos para a construção de uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública Social

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Não é a Greve que leva ao caos, é o caos que leva a Greve

Sobre a Greve Geral:

Rosa Luxemburgo passou sua vida comprometida em descrever a relação da classe trabalhadora, dos movimentos de esquerda e a luta contra o capitalismo. Não é por acaso que a militante nunca perdeu de vista a democracia e a liberdade como um princípio fundamental de suas obras.

As massas, o povo, não devemos subestimar, pois o ímpeto revolucionário urge entre a exploração e o processo de vida aliado a consciência e o amadurecimento das lutas sociais.

No Brasil, em junho de 2013, o povo foi às ruas lutar para ampliar uma série de direitos como transporte, moradia entre outros serviços essenciais aos mais pobres. Um momento rico de aprendizado. A disputa daquela narrativa não foi apenas por parte da direita através da mídia golpista e suas panelas. Vamos refletir! Neste momento (re)nasceu autônomas organizações que também em 2016 e 2017 continuaram na denúncia ao Golpe imposto no país. 

Não será diferente em 2018. Uma Greve que começou dos interesses dos patrões a cada dia os próprios grevistas e os movimentos sociais e populares procuram disputar tamanha narrativa, travando das massas a organização geral da classe trabalhadora.

Nas ruas! Caminhoneiras/os recebem solidariedade da população local e de movimentos importantes como o MST, mas somam os sindicatos que estavam ou entram em greve como o de professoras/os, metroviários, petroleiros, metalúrgicos dentre outros em todo país. Pode ser um ensaio para a Greve Geral. 

Não devemos TEMER.

A liberdade, os direitos sociais e as conquistas são feitas pela luta popular e nada se constrói da concessão. A própria categoria sindical nas estradas vai compreendendo que ou as pautas políticas se alinham pela demanda popular ou não terão legitimidade e apoio em todo país. Várias cidades estão neste momento chamando atos de apoio consolidando a solidariedade de classe.

São lições diárias. Nós classe trabalhadora devemos aprender com toda Greve. Entender que são os/as grevistas, quais as pautas e a correlação entre as reivindicações e as lutas gerais. Em continuidade com os ensinamentos de Rosa Luxemburgo, a luta é o que muda, o resto, apenas ilude, pois o capital é incorrigível! 

Por uma sociedade onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. 

Leonardo Koury Assistente Social e Professor em Belo Horizonte.

Quem somos e para que viemos?

Você se conhece de verdade? Age por convicção ou por impulso? É do tipo: nasci assim vou morrer assim? Então não se conhece... A vida de vez enquanto muda as perguntas e some com o mapa de voo...

Estou preocupado com o momento atual, tanto o meu que quero mudanças urgentes, como o do país golpeado. Para o país não vejo saída em curto prazo e em meu favor tenho os sonhos que ainda faltam realizar e uma vontade imensa de colar gravuras mitológicas nas páginas da minha história.

Na quinta passada ao caminhar numa tarde gelada em São Bernardo do Campo, fui fazendo um balanço do meu projeto de vida. Percebi o quanto ainda falto para completar, mas descobri que sigo na direção certa.

Ontem domingo, pensando nisso, me dediquei a tarde toda, depois de uma atividade política, em ouvir músicas e em deixar que a voz da minha essência pudesse me dizer o que escrever. A escrita passou a ser minha melhor terapia.

Quem somos? Essa é a grande pergunta para os emocionais. Creio que sejamos apenas o invólucro aparente do que habita em nós. O verdadeiro eu está na essência oculta e na intenção que revela o que poderemos ser a cada instante. Cada ser em particular vai tecendo sua morada com seus atos e fatos. Moldando a casa da vida. Algo que se constrói ao longo do tempo, no exercício de viver e nem mesmo o tempo, que é senhor da razão, revela quem somos ao todo, apenas em partes, sempre de acordo com nossos momentos e nossas emoções. Por isso a vida é bela. Nossos momentos nunca são ou serão iguais.

Como vimos no texto anterior, não podemos entregar nossas vidas, nem somente ao destino e muito menos ao acaso. Podemos intervir e ir mudando sua trajetória de acordo com nossas intervenções e nossas intensões. O bom mesmo é saber que cada dia que nasce se revela como uma nova possibilidade de nos completarmos ou como um ato revolucionário de nos reinventar.

Somos vidas para outras vidas. Somos refúgio para quem de nós necessita. Somos o ontem das alegrias e tristezas, o hoje do semblante serio querendo mudanças, mas também seremos o amanhã com novas ações e emoções e principalmente a certeza de que com a missão cumprida vale a pena viver.

Que força estranha é essa que buscamos quando estamos em apuros ou de maneira desconfortável? Dizem que é a voz da alma nos dizendo que a vida mal começou e que a verdadeira resposta está dentro de nós. Outros dizem que é a luz divina que sopra a nos conduzir ao que almejamos. Seja o que for ela existe, alimenta nossas incertezas e nos faz acreditar que sempre será possível.

O estranho e interessante ao mesmo tempo, é que quando menos se espera algo invade nossas mentes e corações e tudo aquilo que ontem era quase impossível de ocorrer, simplesmente desaparece dando espaço para uma nova sensação de alívio e tudo se explica. Para isso precisamos estar conectados com o bem. Quem busca luz, dessa se nutre, mas quem vive na escuridão por ela é consumida.

Às vezes enxergo a vida como uma colina, daquelas que vemos nos desenhos animados e vamos contornando com o olhar. Uma luta intensa para subimos ao topo, em muitos casos sem propósito, apenas pelo prazer da chegada e depois vamos descendo sem saber ao certo como será o caminho. Porém, o prazeroso é fazer o percurso, desfrutar o que é bom, aprender com as criaturas que atravessam em nossos caminhos e ir se convencendo que isso é que é viver.

Se formos atentos poderemos observar as águas claras e cristalinas que descem das encostas e com elas o frescor da vida. Uma longa caminhada que nos faz em certos momentos desanimar, porém a relva que encontramos ainda molhada dos orvalhos das noites nos faz acordar e perceber que do outro lado do rio alguém nos espera cantarolando uma linda canção. Quem sabe não seja um anjo de luz a iluminar nossos caminhos, que às vezes se turvam e a mostrar que nunca estaremos sós.

Não tenho dúvidas que vim ao mundo a trabalho e para servir. Isso me emociona e me mostra as tarefas. Como explicar esse propósito de nascer para servir? Sentir a energia da troca, onde alimentamos os sonhos das pessoas desprovidas deles ou ainda suprirmos o que o capitalismo selvagem levou por ganância a vida toda. Quem pensa assim, não faz benevolência. Acolhe, ajuda caminhar, mas continua a lutar contra quem provocou as injustiças e por uma nova sociedade onde os de baixo tenham vez.

Hoje quando vi o sol nascer me senti aliviado, entendendo que tudo o que foi se foi e tudo há de vir virá. Que minha força de vencer todos os obstáculos e criar coisas novas seja capaz de me ensinar a conquistar tudo que almejo e ter ao meu lado as pessoas que me fazem feliz e, sobretudo que se sintam felizes também caminhando ao meu lado.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O destino existe? Como lidar com o acaso?

Será o destino? Vidas que se cruzam. Caminhos a passar. O que o destino me reserva? Sorte ou azar? Enfim... Ao divagarmos sobre o destino, transitamos por um caminho desconhecido perante nossa falta de percepção da vida.

O que dizer então do acaso? Algo que ocorre sem intenção prévia. Podemos afirmar que no caminho para o destino nos deparamos em vários momentos com o acaso? Ao aceitarmos essa hipótese um debate se estabelece. Como explicar se o que ocorre em nossas vidas ocorre por sorte ou por azar? Ou ainda, ocorrem ou ocorreram em função do destino ou ao acaso? Seja o que for o que está feito, feito está, mas o que ainda está por ocorrer, quem sabe por um acaso possamos intervir em nosso destino. Sabe o que é mais assustador? É saber que a única coisa certa em nosso destino é o fim ou o começo para quem acredita.

Fernando Pessoa escreveu sobre o destino: “Segue o teu destino. Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. O resto é à sombra de árvores alheias”. Tem um mundo de interpretações nessas frases, que encara o destino como algo inerente a cada ser humano, não antes de chamar a atenção para que sempre reguemos nossas plantas e amemos as rosas, ou bem que poderiam ser flores amarelas do campo. O resto meu caro e minha cara são árvores alheias, que se não lhe pertencerem, estarão margeando seus destinos. 

Segundo a Profa. Salete de Oliveira Buffoni, a Teoria do Caos propõe uma ideia de destino. “Em termos filosóficos, podemos dizer que o destino existe, mas nós o modificamos toda vez que fazemos determinadas escolhas que vão influenciar o futuro”. Cada uma dessas escolhas se conscientes, poderão produzir efeitos mais ou menos previstos, mas se forem ao acaso, os efeitos poderão ser catastróficos em nossas vidas, tanto de ação-reação, como principalmente de causa e efeito.

Nunca no Brasil (vi esse termo certa vez espetado num lindo jardim) quero viver de escolhas ao acaso, embora nem sempre tenha certeza disso. Se o destino colaborar, gostaria que minhas escolhas fossem sempre conscientes, pois quero ter a esperança de revisar meus erros, de refazer caminhos e principalmente de me refazer sempre que a vida me botar numa encruzilhada. Jamais imponho a minha verdade como única e absoluta. Toda vez que minha dita verdade, comandada normalmente pela minha cabeça, quer prevalecer, recorro à voz que vem do coração. Por isso sou emoção.

Estou convencido de que escolher é muito mais fácil do que ser escolhido, porque quando escolhemos e sofremos as consequências dos revezes da vida, as frustrações são sós nossas, mas quando somos escolhidos e frustramos as pessoas que nos escolheram, por certo ficaremos para sempre com o estigma e o ônus do Pequeno Príncipe.

Ainda nessa linha, Clarice Lispector escreveu: “Decifra-me, mas não me conclua. Eu posso te surpreender...” Uma frase enigmática que provoca o presente e inquieta o futuro. Fiquei pensando vários dias nessa frase. O que será que se passava na cabeça dela quando escreveu? Seria uma provocação ou uma desilusão? Ou ainda as duas juntas? Uma frase que expressa em seu universo: Fim, dúvidas, mas quem sabe uma possibilidade...

Algo hoje nesse campo me inquieta. Será que o destino influencia diretamente a vida política de um país, de um estado ou de um município? E seus personagens centrais como são escolhidos? Ou será que no mundo complexo da política, pois inclui um sistema, opções ideológicas e os meios para se conseguir avançar ou retroceder, são tocados pelo acaso? A resistência através da organização popular é uma certeza para quem quer mudar o destino político de um país, de um estado ou de um município, mesmo que só seja infinito enquanto dure, mas por certo ficará.

A única certeza que tenho é a de que a escolha de uma causa para se lutar, daquela que faça valer nossa própria vida e que acaba virando o que rege a nossa militância política, essa não tem nada de acaso, pois vem da certeza. Quando a causa é escolhida por pura convicção política-ideológica, se torna real e ficará para sempre.

Ah Clarice Lispector, como me identifico com suas inquietudes...  Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar”.

No mais, cada vez que o trem da história faz uma curva e eu me desequilibro, sinto no momento seguinte que a vida está me testando para saber qual é o meu limite. Aí olho para trás e vejo o quanto plantei e mesmo que tenha deixado de regar algumas plantas, em alguns momentos por pura estupidez, sei que o tempo como senhor da razão vai me proporcionar uma ótima colheita.

Que venha o amanhã, o depois do amanhã e principalmente o futuro onde depositarei minha história.
Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Você já se procurou nas veredas da vida?

Escrevo esse post como uma espécie de acerto de contas comigo mesmo, porém sempre procurando dialogar com o futuro, a partir de fragmentos dos últimos tempos. O que continua sendo belo é o ato de viver.

A introspecção leva às reflexões. Tira-nos da certeza de que o mundo gira apenas em torno de nossas cabeças, a partir das nossas emoções e isso nos faz rever conceitos, buscar pontos de equilíbrio, juntar pedaços do que passou e nos direciona ao centro de nossos universos, em busca das nossas essências que às vezes parecem perdidas. Espelho, espelho meu, quem de fato sou eu?

Você já se perguntou quem de fato você é? Já se encontrou de forma deslocada de seu eixo natural? Que vereda seguiu? Encontrou-se rapidamente? Que contribuição lhe trouxe o amor, ou foi tudo ilusão? Perdoou e obteve o perdão? São perguntas e respostas que interessam a milhares de pessoas, que em muitos casos, nunca pararam para pensar.

Nem de longe me atreverei a responder perguntas tão intrigantes e embaraçosas, até porque a vida nos coloca em cada encruzilhada... O objetivo deste post é apenas e tão somente parolar sobre os desencontros da vida.

Sinto-me incompleto para analisar as reações humanas, até porque humano que sou vivo também tendo reações, às vezes nada confortáveis, para quem convive comigo. Coisas de um ser imperfeito que vive a se buscar, que como forma de compensação recorre à leitura em busca de novos conhecimentos e novos conteúdos que ampliem o poder de reflexão frente ao que escreve para o blog. Que bom ter esse espaço para desabafar...

Em termos gerais, como fazer uma análise criteriosa da sociedade atual e dos problemas nela contidos, se vivemos um dos piores momentos que a sociedade brasileira já viveu? De um lado uma nação individualista odiosa e surreal pulando atrás de um pato gigante, comandada por agentes do mal e de outra uma massa despolitizada, alienada, carente e com grande parte dela de volta à miséria. No meio dessa situação um grupo de sonhadores e sonhadoras, militantes das causas socialistas e humanistas, tentando salvar parte do mundo contaminado pelo ódio, friezas emocionais e cálculos financeiros, sob a demanda dos profissionais da politica. O desafio é saber o que somos e o que queremos ser...

O que dizer então de uma casta de intelectuais, seja de direita ou de esquerda, que vive em outro planeta? Fala uma linguagem que só eles entendem. Não entendem de povo.

Para fugir dessa apatia, sinto vontade de misturar poesia com cachaça, como diz a música de Vinicius de Moraes “Cotidiano nº 2”, mas no meu caso não discuto futebol, ainda mais se for da seleção. Basta que eu me lembre daquele monte de patos e patas de verde-amarelo pulando pedindo fora Dilma, que não sinto vontade nem de ver.

Assim sendo, só me resta voltar à discussão do mundo da boa política, que está em baixa é certo, num país dominado pela politicalha, mas a luta para que essa boa política não morra continua firme com a militância que segue em frente a lutar por um mundo melhor onde caiba todos e todas. Essa galera pode até sofrer de crises de valores, mas jamais de princípios.

São nesses momentos que recorro à Neruda, Fernando Pessoa, Drummond, Clarisse Lispector, Paulo Freire e tantos outros e outras. Suas leituras abrandam as dores da alma e nos alimenta com energia para o futuro.

Agora, para abrandar de vez os efeitos das tempestades e aprender com elas, vou mesmo é buscar meu violão que está na casa de um grande amigo e simplesmente tocar nas noites mal dormidas. A música é companheira da alma. Aí sim vou cantarolar o que me der prazer ou ainda que me faça esquecer os desencontros e as reviravoltas que a vida dá. Também quem manda ser pura emoção? É preciso aprender com pessoas que são pura razão a maior parte do tempo. Essas com certeza sofrem e sofrerão muito menos.

Buscando afirmação ao que escrevo, parto do princípio de que ninguém é, está ou estará totalmente seguro de forma definitiva de qualquer decisão tomada ou qualquer situação que seja, principalmente àquelas voltadas às questões emocionais. Ou ainda questiono quem acha que está e estará sempre à frente das situações. O que hoje é por reação, poderá ser amanhã por ação, devido aos revezes da vida. Caso tudo isso ocorra porque queremos ser o agora, com base no ontem, mas não nos esqueçamos do amanhã. Sempre haverá o dia seguinte, a noite seguinte e com eles virão as dúvidas insanas...

Devemos sempre lembrar que a terra gira, os astros caminham pelo universo e ninguém é o que foi ontem. Bom mesmo é estarmos preparados e preparadas para as travessias da vida, no sentido de refazer caminhos se necessário for, com o intuito do se encontrar e ser feliz. Mais vale um arrependimento consciente do estrago feito, do que uma certeza incômoda que seguirá conosco pelo resto da vida. Dúvidas do porque se permitir e mais dúvidas ainda do porque não se permitir...

Clarice Lispector por Clarice Lispector, certa vez escreveu: Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não ser...Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor a conhece e a subjetiva...Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo”!!!

Fecho essa conversa declarando ter coragem suficiente de mudar quantas vezes for necessário, de criar novos valores e principalmente de pedir desculpas, tantas vezes forem necessárias para quem eu estiver incomodando ou fazendo sofrer. Tudo isso no sentido de ser mais autêntico comigo mesmo, mais amoroso com quem amo e mais verdadeiro quanto à minha essência. Refaço-me a cada momento que aceito o que fizer bem ao meu coração.

Olá futuro, estou de olho em você! 


Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social

terça-feira, 8 de maio de 2018

A paixão é um refúgio de quem ainda acredita no amor?

A introspecção nos leva a fazer uma viagem do ontem rumo ao futuro. Particularmente não gosto de dias nublados. Sinto-me desconfortável. Devo ser porque sou filho do sol e tento aproveitar toda sua energia a cada segundo.

A sociedade brasileira está em crise. Uma alta dose de tristeza paira no ar, composta por várias atribulações: O país em golpe, Lula preso, a politica sendo transformada em negócios eleitorais pelos profissionais da política, a violência generalizada, mulheres perdendo a vida por um machismo histórico, desencontros amorosos e principalmente falta de perspectiva para o futuro, que entre tantos outros problemas, leva muita gente ou a emoções frequentes e às vezes descontroladas, ou a agirem de forma fria e calculista frente às questões pessoais, principalmente emocionais e com os males da sociedade.

Após ouvir alguns desabafos sobre problemas existenciais e paixões mal resolvidas, resolvi escrever sobre o complexo tema da paixão. Esse estranho sentimento que deixa muita gente numa situação desconfortável. Como explicar que numa paixão tudo nela parece ser intenso, mas em geral é de curta duração, como fogo de palha?

Li certa vez uma lenda sobre um Velho Duende e uma Linda Flor, que retratava um caso mal resolvido de seus personagens. O enredo chegava a ser poético, misturava alegria com tristeza, desafios de vencer a distância entre o jardim e a floresta e, sobretudo mostrava em detalhes, os ingredientes de uma paixão.

Viveram intensamente por muitas luas, trocaram juras secretas e de uma hora para outra tudo que era sol virou uma tremenda tempestade. Linda Flor resolve por um fim aos encontros, deixando o Velho Duende sem nada entender. A história termina com ele deixando um recado para ela numa pedra e depois seguindo floresta a fora e ela voltando ao seu jardim e o proibindo de qualquer contato. Uma leitura dos tempos de teatro, que ficou na memória.

Nos cursos de formação política abordo sempre o tema da paixão, ao me referir que uma eleição normalmente é decidida pela emoção e não pela razão. É o coração quem comanda e não a cabeça os resultados eleitorais. As pessoas se apaixonam pelo personagem principal fazendo com que desapareça qualquer racionalidade no processo eleitoral.

Fui à busca de um conceito sobre paixão. Segundo o site significados, paixão é um sentimento humano intenso e profundo, marcado pelo grande interesse e atração da pessoa apaixonada por algo ou por alguém. Exatamente como me descreveram. Normalmente a paixão só envolve vigorosamente uma das partes. A outra apenas transita junto, sem maior envolvimento.

Ainda segundo a definição do site, a paixão é capaz de alterar aspectos do comportamento e pensamento da pessoa, que passa a demonstrar um excesso de admiração por aquilo que lhe causa paixão. A impulsividade, o desespero e a inquietação são outras características que costumam estar associadas ao sentimento de paixão. Algo desesperador para a pessoa possuída pela paixão e indiferente para a outra parte.

A maioria das paixões  termina sempre da mesma forma. Um lado querendo continuar com o romance e o outro simplesmente acaba com a graça, sendo que em tese, tudo começara com o envolvimento de ambas as partes. Paixão para muita gente é um poço sem fundo ou um caminho sem volta.

O psicólogo e neuropsicólogo Fábio Roesler, diz que há sim uma grande diferença entre paixão e amor: "O amor, normalmente, está relacionado a um sentimento bonito, estável e sereno, mais controlável e menos temido, enquanto a paixão nos invade e domina nossos pensamentos. É tida como arrebatadora, turbulenta e, muitas vezes, sofrida", explica.

Segundo Roesler, a principal característica das pessoas apaixonadas é que elas passam a enxergar no outro aquilo que desejariam que ele fosse, e não o que ele realmente é. "O parceiro é idealizado e transformado em um personagem", afirma o especialista. Ele diz ainda que apesar de algumas pesquisas apontarem que a paixão tem pouca duração (cerca de seis meses em média), não é possível determinar um tempo cronológico específico, já que cada história é individual e particular. Ou seja, cada caso é um caso.

Willian Shakespeare dizia que Ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa”. Dizia ainda que a paixão cega: “Oh, paixão, que fazes com meus olhos que não enxergam o que veem”?

Na música Quando a Gente Ama, dos compositores Marcelo Barbosa, Bozo Barretti, eles afirmam que a paixão é algo inexplicável: Quem vai dizer ao coração que a paixão não é loucura, mesmo que pareça insano acreditar”...

Clarice Lispector afirmava ter medo da paixão: “E talvez só o pensamento me salvasse, tenho medo da paixão”.

No meu entendimento a paixão deve ser vista primeiro com muita cautela, pelo sofrimento contido em várias situações, mas também com muita delicadeza, visto que em muitos casos acaba virando amor.

Problema mesmo é quando a paixão ou o amor vira saudade, como diz Chico Buarque: Oh, pedaço de mim. Oh, metade afastada de mim. Leva o teu olhar. Que a saudade é o pior tormento. É pior do que o esquecimento. É pior do que se entrevar”... Nesse caso só há uma solução. Quando ambos entenderem que o melhor caminho está em suas mãos.

Que todas as paixões mal resolvidas da humanidade encontrem um ponto de equilíbrio e virem amores eternos.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social

terça-feira, 1 de maio de 2018

Apenas uma reflexão para a vida e para quem dela precisa


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Quem sois vós? Quem sou eu? O que buscas? Onde achar? Que caminho seguir? Quem estará conosco? Estará sol ou chuva? Será dia ou noite?

Sinto-me viajando no carrossel da vida, sentido um vento suave provocado pela velocidade do tempo. Busco abrigo para me amparar da chuva, mas ao mesmo tempo sinto vontade de me molhar. Na chuva parto para o campo, apenas pelo gosto de sentir no rosto as gotas geladas vindas do alto. 

Não me sinto feliz, nem tão triste o suficiente para não dar valor ao ato de viver. Entendo que para uns e outras o carrossel pode significar uma turbulência na vida e para outros e outras representa a vida em movimento, composta por altos e baixos. O importante é entender que nem mesmo o carrossel será o mesmo após cada volta que dá.  

Saio da chuva e volto ao carrossel e tento decifrar o que é possível ser feito no curto espaço de tempo em cada volta que a vida dá. Lembro-me que quando a chuva passar vem à hora do plantio e de torcer novamente por nova chuva para que a colheita seja próspera. Ao descer pela segunda vez, vou caminhando introspectivo e apenas canto uma canção para o tempo passar.

Penso que bom mesmo é ser criança, pois se chora sem motivo real e se ri de tudo que se passa à frente, apenas pelo prazer de ser feliz. Ser adulto às vezes é muito chato e que vontade que dá de voltarmos a ser crianças novamente. Como isso é impossível só nos resta caminhar em direção ao futuro, onde encontraremos com o resultado de nossas crenças.

Quando um dia tudo isso virar saudade, há quem diga que por aqui passou um fogo chamado paixão que contaminou todos aqueles e aquelas que não têm medo de ser feliz. O bom é saber que enquanto há vida podemos moldar o barro e consertar cada imperfeição que o ato de sermos seres incompletos vem a provocar.

Que a vida me conceda a oportunidade de refazer cada momento. De rever conceitos se necessário for e de fazer com que o predicado não negue o sujeito que sou e tampouco me anule do ato de viver. O importante é sentir que sempre se faz necessário aprender, crescer e mudar.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública Social

terça-feira, 27 de março de 2018

As inquietudes da ausência que invadem a nossa essência

A partir do entendimento do momento atual, dá para viver sem inquietar-se? 

Inquieto-me pela destruição das conquistas de mais de cem anos de lutas, mas muito mais por ocasião da ausência de questionamentos organizados por parte da maioria da população brasileira que perdeu praticamente tudo. Isso provoca entre outras situações, uma invasão na essência humana para quem veio ao mundo a trabalho e continua lutando por uma causa humanista e de igualdade.

Parto da avaliação da existência de uma séria crise de identidade na sociedade brasileira, advinda de vários fatores e de diversas matrizes, principalmente ideológicas e isso faz com que em muitas situações, inúmeras pessoas mais pareçam transeuntes de uma terra de ninguém do que habitantes de um planeta que se propõe a viver em harmonia. Além disso, uma grande parte da população não possui um projeto de vida. Apenas vive. Isso faz com que o caos mostre sua verdadeira face e avance sobre os sonhos das pessoas.

Essas transformações a meu ver estão modificando profundamente o estado emocional de um contingente enorme da população, com prejuízos incalculáveis para o emocional e também para o mental, tornando as pessoas alvos fáceis do “sistema” e principalmente de seus agentes. Um dos eventos observados vem da ausência quase completa dessas pessoas do entendimento dos códigos do poder e isso provoca, entre outros fatores, o desinteresse completo da vida cotidiana, da política e dos políticos.

Grandes perguntas que nos vêm em mente: Esse desinteresse é consciente ou construído lentamente pelas forças dominantes? Para o “sistema”, esse processo de ausência de lutas concretas é uma coisa boa ou ruim? Como intervir? Podemos definir tudo isso como um processo de letargia?

Por definição, ausência pode ser entendida como ação de afastar-se de algo ou de alguém, mas também pode ser se ausentar de si. Andar de forma atabalhoada pelos corredores da vida, meio que sem rumo. Ou ainda a ausência provocada pelo desprezo humano que produz estragos emocionais nas pessoas acometidas, muitas vezes irreversíveis. É preciso amar a vida para poder amar a causa.

Por ser um tema tão complexo, esse post não tem a pretensão de se enveredar pela área da saúde e tampouco psicológica para explicar sobre as diversas formas de ausência, mas buscar entendimentos que nos ajude a entender essa paralisia geral que acomete grande parte da população brasileira.

Um dos caminhos possíveis dessa letargia pode vir da ausência de emoções e indiferença a tudo, que é uma patologia, que consiste em regras gerais, num desinteresse total de tudo e de todos. Nesse caso não há emoções em jogo ou em disputa. Pode ser causada, por exemplo, pela falta de qualidade das relações interpessoais e de sonhos desfeitos, gerando o que a medicina chama de Transtornos de Humor.

Porém, será que isso é suficiente para entendermos essa crise de ausência nas ruas? Como explicar então se as ruas enchem quando a Globo chama a população para pular diante de um pato, escondendo as verdadeiras razões dos problemas do país?

Vamos por outro caminho. E se tiver ocorrendo um controle e manipulação das massas, numa ação ordenada por quem provocou essa enorme crise e por seus aliados? Vejam o que diz Noam Chomsky:

“Um estado totalitário não se importa com o que as pessoas pensam desde que o governo possa controlá-la pela força usando cassetetes. Mas num estado democrático, quando você não pode controlar as pessoas pela força, você tem que controlar o que as pessoas pensam e a maneira típica de fazer isso é através da propaganda (fabricação de consentimento, criação de ilusões necessárias), marginalizando o público em geral ou reduzindo-a a alguma forma de apatia”.

Inspirado nas ideias de Chomsky, o francês Sylvain Timsit elaborou a Lista das 10 estratégias mais comuns de manipulação em massa através dos meios de comunicação de massa:

1. Estratégia da Distração: Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.

2. Criar problemas e depois oferecer soluções: Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

3. Estratégia da Gradação ou da Gradualidade: Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. 

4. Estratégia do Diferimento: Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

5. Tratar o público como se fosse criança: A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantismuitas vezes próximos à debilidade.

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão: Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade: Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade: Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto. Introduzir a ideia de que quem argumenta demais e pensa demais é chato e mal humorado, que lhe falta humor de sorrir das mazelas da vida. 

9. Fortalecer a culpa: Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraçapor causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Aqui a meritocracia se encaixa como uma luva.

10. Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem: O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que dos indivíduos sobre si mesmos.

Minhas inquietações se tornam mais aguçadas quando me convenço que o golpe em curso no Brasil nada tema ver com Temer ou com a politicalha do momento e sim o Consenso de Washington estruturado em 1989, assim como também me inquieto quando me convenço que a ausência do povo das ruas no combate à destruição de suas conquistas se dá por um processo de manipulação e alienação promovido pelos agentes do “sistema”.

Para combater esse estado de abandono e desagregação popular, só uma grande dose de formação política cidadã, que seja capaz de intervir e motivar outras pessoas. Algo que as conquistem pelo conhecimento, ajudando-as a entenderem o “sistema” e a se defenderem da opressão presente na atualidade em cada esquina, assim como tomarem tento e lutarem pelos seus direitos.

Finalizo essa conversa com duas frases de Maquiavel: “Um povo corrompido que atinge a liberdade tem maior dificuldade em mantê-la”. “Para bem conhecer o caráter do povo é preciso ser príncipe e para bem conhecer o do príncipe é preciso pertencer ao povo”.

Vídeo - As dez estratégias de manipulação das massas de Noan Chonsky
https://www.youtube.com/watch?v=xBVUBJXWXWY  

Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social